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Importância do saneamento para o combate na desigualdade de gênero
Você sabia que o acesso ao saneamento básico no Brasil não é igual para todas a pessoas e a falta de efetivação desse direito tem um impacto significativo na vida de muitas meninas e mulheres? 16,3% da população brasileira não tem atendimento de água e 45,9% não tem atendimento de esgoto (SNI, 2019). No Nordeste, apenas 28,3% da população tem acesso ao esgoto enquanto no Sudeste esse índice é bem superior (79,5%).

Um estudo sobre saneamento no país (BRK AMBIENTAL, 2018) mostrou que uma em cada quatro mulheres brasileiras vive em situação precária do ponto de vista do acesso ao saneamento básico. As mulheres autodeclaradas pretas e pardas, ainda que representem 28,7% da população total (60,1 milhões), são o grupo mais numeroso entre os mais pobres (38,1% ou 19,7 milhões) e extremamente pobres (39,8% ou 5,4 milhões) e, com isso, meninas e mulheres negras estão mais suscetíveis às questões decorrentes da falta de saneamento e à pobreza menstrual.

As lacunas de saneamento comprometem a saúde de meninas e mulheres e apresentam vários desdobramentos em suas vidas. Quando elas mesmas, seus filhos e familiares adoecem em decorrência da inadequação do acesso à água, ao esgotamento sanitário e à higiene, as meninas e mulheres, por desempenharem mais o papel de cuidadoras, acabam sendo as mais afetadas, porque se afastam de suas atividades cotidianas, como o trabalho e a escola.

Parte das estratégias de promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva devem considerar que a saúde menstrual está intimamente ligada às questões de higiene, água e saneamento. Nas escolas e nas comunidades, a falta de instalações sanitárias adequadas e seguras geram preocupações adicionais, como o risco de violência sexual e o afastamento das atividades escolares, principalmente no período menstrual. Os projetos sobre Água, Saneamento e Higiene da Plan International trabalham como uma abordagem transformadora das desigualdades de gênero e, portanto, consideram em suas intervenções as necessidades materiais e estratégicas de meninas e mulheres, incluindo tanto o atendimento das suas necessidades práticas (acesso à informação, a produtos de higiene menstrual, à água e ao saneamento) como o trabalho sobre normas, comportamentos e estereótipos de gênero com meninas, meninos, mulheres e homens em toda sua diversidade por meio de capacitações, sensibilizações e incidência política.


Autoria:
Nicole Campos, gerente de estratégias de programas da Plan International Brasil.
Thayná Lima, facilitadora do projeto Escola de Liderança para Meninas em Teresina.